12 de fev. de 2014
Ainda me lembro daqueles nove anos de idade, quando (geralmente num dos quatro ônibus diários que eu pegava para transitar de casa pra escola e vice-versa) eu refletia sobre meu futuro, e torcia, torcia muito, para que diante de mim, então um moleque a começar a ver os pêlos surgindo, aparecesse eu mesmo, com trinta, quarenta ou cinquenta anos... o eu criança esperava que o eu adulto aparecesse e se lhe apresentasse, e, em especial, ensinasse alguns segredos sobre a vida. Ajudaria bastante a mim, naquele momento de extrema balbúrdia que era meu cotidiano, com problemas escolares e familiares - humilhado pelos colegas e pelas professoras, assediado nas paradas de ônibus, ignorado pela mãe e sendo obrigado a acompanhá-la nas sextas-feiras para vê-la encher a cara, com vergonha da escola, com vergonha da farda, com vergonha da família e de mim mesmo - e cedo demais me obrigando a pensar no quanto a vida de fato nada tinha de bela... O fato é que meu eu adulto não apareceu (não que eu me recorde) e eu tive que passar por certas coisas com os olhos vendados; coisas que parecem simples pra maioria, mas que para mim exigem um supremo esforço, o maior de todos, recaindo-me frequentemente num cansaço extremo, e todos sempre acharam, e acham até hoje, que eu nunca precisei me esforçar, que eu nunca me esforço pra nada - na verdade, eu me esforço pra tudo...
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Um comentário:
Oi, Leon!
Eu posso imaginar o quanto foi sofrido, o quanto foi difícil para você.
Mas eu te sinto uma fortaleza. Não é todo mundo que consegue ultrapassar tanta coisa ruim na infância e ainda conservar a nobreza e o bom caráter.
Muito obrigada pelos comentários por lá. Fiquei feliz com sua presença.
Beijos e abraços!
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