6 de mai de 2017

Em certo momento, tô lá no calor dos debates polêmicos de Facebook, e de repente o meu adversário diz:


Mudando de assunto, vc foi meu professor de Geografia, Filosofia e Sociologia no Castro Alves. O melhor que eu tive diga-se de passagem. Depois que o senhor saiu eu não aprendi mais nada nessas matérias.



 Assim não tem como continuar a treta. 


14 de abr de 2017

5 de abr de 2017

Lembro-me de quando trabalhei numa peixaria, carregando nas costas pesados pacotes cheios, sempre ansioso por ver terminar aquele expediente maldito, que parecia eterno. Não bastasse o desconforto do peso que carregava, tinha ainda que aturar as ladainhas da rapaziada que trabalhava comigo. Homens másculos e falantes demais, todos sempre com um sorriso despojado enquanto o cigarro pende no canto da boca, sempre xingando a uns e a outros - eu sempre na lista de alvos primordiais - e eu sempre na minha, com ódio de todos eles, da minha família, de Deus e do mundo. Uma vez, um desses sujeitos, o Alverga, disse para mim:

- Você não vai com a nossa cara, seu merdinha. Mas foda-se. A vida é assim, e você vai ter que aguentar.


Não durei nem dois meses na peixaria. Mas o temor daquela vida de merda ainda me acompanhou durante muito tempo...



"Você não sabe o que é uma pessoa ansiosa, angustiada, com problemas emocionais", foi o que eu disse hoje para um amigo ansioso, angustiado, com problemas emocionais. Felizmente, ele entendeu o que quis dizer.



8 de fev de 2017

11 de jan de 2017

hoje vi uma pessoa dizendo que gostaria de saber onde andavam seus amigos de ensino médio, lá do JK, Assu, turma de 2005. que fim teriam levado eles?

eu me lembrei que eu imaginava o mesmo sobre meus colegas de ensino fundamental, concluído lá no longínquo final dos anos 90. 

todos dispersos pelo mundo, ninguém mais se lembra de ninguém, eu pensava.

até que uma menina daquela época me localizou.

e me colocou num grupo de whatsapp.

estava todo mundo lá.




26 de dez de 2016

muita gente se ocupando de fazer planos pra 2017, mas agora é que eu tô decidindo o que quero pra 2016...



13 de dez de 2016

diz um tio meu que...

"Não gosto muito dos contos eróticos brasileiros, é tudo mal escrito, sem pontuação, sem nada... Nem os contos eróticos em português de Portugal são bons. Eles revisam, e tudo, mas sempre passam algumas coisinhas. Esses aí (escritos em inglês) são tudo bem-feito..."





1 de out de 2016

ANTEONTEM, A JULIANA ME PEDIU SINCERAS DESCULPAS

HOJE, SOU EU QUEM DEVO DESCULPAS AO CLÁUDIO

NO FINAL DAS CONTAS, NINGUÉM ESTÁ QUITE COM NINGUÉM




27 de set de 2016

A esmo
Para Vivian


Nada do que eu diga agora faz sentido,
e tanto faz já o tudo que disseram.
As frustrantes sensações que se impuseram
são por nada mais poder ser revertido.

Dito isso, só queria dizer agora
que sei que não existe nunca boa hora
para se dizer adeus ou pra silenciar
no momento em que é preciso ir embora.

Mas por saber da forma como aconteceu
e por imaginar o sofrimento do instante,
não posso deixar de me impactar
com o gesto daquele inútil meliante.

Fui pego de surpresa após 30 dias,
depois de insistentes notificações
que construíam mil e uma teorias
profetizando suas novas aparições.

Fiquei pensando nesses anos de silêncio
e nos tantos silêncios que acumulamos,
nos amigos que se foram nesse tempo
e nos que de vez em quando ajudamos.

A Maria vai bem, animada, e a Leci
- dessa não dá pra dizer o mesmo.
A sua filha Tâmisa, enfim, eu conheci
pela nota jogada na internet a esmo,
o Zé Reinaldo há tempos não vem a Natal,
sobre Márcia ninguém mais falou,
tá tudo em branco, tudo assim, sem sal,
como aquelas fotos que você mandou.

Ficam aquelas boas lembranças de amigo,
apesar de toda a sensação ruim.
Nada do que eu diga agora faz sentido,
não existe boa hora para o fim.




25 de set de 2016

Todo mundo está por aí precisando dizer algo.

Todos estão precisando conversar um pouco.
As pessoas chegam pra mim
e perguntam alguma coisa sobre Cuba.
"Você é especialista no assunto", elas falam.
Respondo as dúvidas que trazem, e elas dizem "que interessante",
e depois contam que se interessaram por Cuba durante a faculdade.
Em seguida, pergunto o que mais marcou a época da faculdade,
e essas pessoas dizem que foi um tempo muito bom,
mas também foi uma fase complicada.
Logo após, contam que na época da faculdade, era difícil a situação financeira,
a relação com a família, com amigos, com todo mundo.
Não demora e confidenciam que esse problema não era só na época da faculdade.
Já existia antes.
E continua a existir agora.
Vou dando palpites acerca dos problemas delas
e quase sempre acerto,
não porque sou esperto,
mas porque já passei por coisas parecidas.
As conversas duram horas.
E então se despedem,
oferecendo agradecimentos pelos desabafos feitos.
Raramente voltam a conversar;
alguma espécie de constrangimento parece que fica no ar.

E fico então no aguardo
da próxima pessoa que tenha perguntas sobre Cuba,
ou sobre qualquer coisa.
 

Porque eu também preciso conversar.




23 de set de 2016

antigament eu ouvia o disco galope do tempo ou revolta dos dandis e pensava, porra, esse disco fala sobre mim, e tinha o desejo d eventualmente ouvir com algm, musica por musica, convrsndo sobre cada verso, mas o tempo passou, isso ñ aconteceu e agora meio q vejo q esses discos n falam de mim, na verdade falam de todo mundo, todo mundo se sente só, se sente triste, td mundo se acha antissocial, td mnd se acha depressivo, mas curtem so o lado glamuroso da coisa... acho que foi qdo me dei conta d q td mndo vivia triste q eu me permiti ser + feliz, e hj ouço esses discos com o apreço dos q tem boa memória, apesar dos tempos nefastos q representaram... como diz a canção - q n ta em nenhum desses discos - a noite fria me ensinou a amar + o meu dia...



11 de set de 2016

quando nos mudamos pra esse bairro
fins de 1997
havia bem ali um terreno baldio
um descampado enorme, com barro e lixo
pensei: seria legal se fizessem algo aqui pra pessoa poder passar o tempo
anos depois, o governo limpou tudo
construiu umas duas quadras
achei que tinha ficado bem legal mas ainda precisava de mais
outros anos passaram
e o governo reformou as quadras e pavimentou parte do terreno
colocou um gramado e tudo
e ficou bem legal
mas ainda faltava uns bancos pra pessoa se sentar
então após mais uns anos
o governo instalou bancos e plantou umas arvores
e eu pensei:
vai ficar massa quando essas árvores fizerem sombra
hoje, 20 anos depois
o gramado cresceu
as arvores ja fazem alguma sombra
alguns bancos foram depredados, mas a maioria permanece lá
e só agora eu fiz o que esperava desde muito tempo:
sentei
e pronto. assim permaneci por horas.




27 de ago de 2016


LEON, TENTE ENTENDER O SER HUMANO POR COMPLETO,
falou-me a pessoa que nunca leu livros carregados de dramas psicológicos, nunca assistiu nem ao Clube da Luta e vive com medo de "pegar" essa doença chamada depressão...






26 de ago de 2016

19 de ago de 2016

o eu
é aquele fetiche que alimentamos
de que existe um núcleo, uma substância
ali onde,
na realidade,
não existe nada.




7 de ago de 2016

se,
das possibilidades que minha mãe me ofereceu,
eu estiver certo na suposição,
então hoje
é aniversário do meu pai.

parabéns, caba bom.




6 de ago de 2016

4 de ago de 2016

do tempo que eu era mais amargo

Querida F..., confesso que não me lembro das vezes que passei no vestibular, e às vezes sinto certa amargura por não ver nesses momentos que tive nada que se possa chamar de conquista, mas percebo o semblante de vitória e de orgulho em algumas pessoas que vejo passar, bem como o de fracasso latente entre aqueles que não passaram, e às vezes tento deixar minhas concepções pré-formuladas de lado para poder entender mais friamente toda essa quantidade de emoções à mostra, mas eu não consigo. Mas pelo menos parabéns eu ainda sei oferecer, eu também queria um dia ter “passado no vestibular”, e ler seu texto me dá uma sensação boa de que seria possível, e é isso (o vídeo não vou ver)… um beijo.

2 de ago de 2016






comecei a trabalhar em mais um roteiro, solicitado por um amigo virtual, um estudante de cinema (diretor amador), em troca de algumas dilmas. tava tudo pronto, até comecei a escrever uma boa história de início, era para um curtametragem, e lá eu explorava o comportamento masculino depois de uma noite de amores quentes com mulheres conhecidas ou desconhecidas. escrevi o primeiro caso, um homem que se divorciava e, após oito meses sem contato com o mundo feminino - cuidando para adquirir novos hábitos, deixando de fumar, de beber, etc -, ele então encontra a ex-mulher num ônibus ou metrô e, nessa primeira noite, ele volta para sua antiga casa. todo o serviço sexual é completo, os dois transam como felinos irritados durante toda a madrugada, até que, num dado momento, naturalmente, ele cansa. e se vê deitado na cama com sua ex-mulher, figura feminina que ele passou a odiar com o passar dos anos. ele percebe então que o que sustentara seu casamento durante oito anos foi justo a bebida, o cigarro, um baseado depois da foda; agora, porém, ele não tinha nada disso. foi o pior momento de sua vida.

pra ela foi tudo trágico também, eu sei.

Parei por aí.



1 de ago de 2016

um e-mail que escrevi há muito tempo e nunca enviei

.
.
.
eu estava vendo e aprendendo algo sobre o escorpião, sobre a tendência regenerativa desse ser que se manifesta num impulso destrutivo, para reconstruir a vida permanentemente, e fiquei pensando nisso que você falou, que a vida é sempre um andar para a frente,mesmo que trôpego e cambaleante, e já não dá retorno possível para o passado. fica tudo se acumulando no altar do esquecimento. eu que só queria acordar sem esse nó no estômago. queria qualquer coisa doce, já que ando cada dia mais azedo. qualquer coisa que fosse como um deslumbramento ou um abraço. mas nada disso virá, a gente sabe. tudo se vai.




 
que merda.

até amanhã... depois, logo se vê.
.
.
.
 

31 de jul de 2016

a realidade é um prato de comida com sal alem da conta... voce pode ate beber um copo inteiro pra amenizar uma garfada, mas sempre precisara de mais bebida na garfada seguinte

30 de jul de 2016



Todos querem sangue
querem lama
querem à força
o beijo na lona

e querem ao vivo...


27 de jul de 2016

O sonho é popular (eu li isso em algum lugar; se não me engano é Ferreira Gullar falando da arquitetura de um Oscar)...




22 de jul de 2016

Eu recebi hoje um email de um conhecido dos tempos de colégio, estava anexado com umas fotos recentes de Rodrigo, um dos caras mais arruaceiros que já conheci, quando nos falamos a primeira vez devíamos ter uns 13 anos, e mantivemos contato pelos três ou quatro seguintes. Depois que nos distanciamos, só tive notícias suas em dois momentos: um foi quando ele passou uma semana preso por estar empossado de umas muambas, que, como se não bastasse, eram roubadas; o outro momento foi agora, através dessas fotos. No corpo da mensagem, o remetente tentava convencer a mim e aos outros três ou quatro destinatários a abrir as imagens.

EI AMIGOS VEJAM O QUE ACONTECEU COM O VENTA
HAHAHAHAHA QUEM SABE ELE APRENDE
SAUDADES

Eu não tinha entendido, só entendi quando vi as fotos. Rodrigo estava acabado, havia sofrido um acidente de carro e era só cacos, com lesões que iam desde pequenos arranhões na bochecha até uma fratura horrível nos metatarsos que o impediria até de colocar o pé no chão por um tempo, mas estava vivo, e chegava até a sorrir em uma das sete fotografias, fazendo um sinal com as mãos...



21 de jul de 2016

- o q vc acha q devo fazer?
- primeiro esquece
tudo isso, sossega, fica bem,
aproveita o clima, as ruazinhas da praia,
entra no mar, relaxada,
lembra de quando fazia isso com 12 anos de idade,
como era bom,
como nao tinha preocupação nenhuma na vida,
tenta lembrar de
como era boa a vida
antes de tu começar
a entrar nos
descaminhos dela...



17 de jul de 2016

Eu sempre fiquei jogando as coisas pra frente.

Quando eu terminar a faculdade farei isso,
quando eu tiver salário farei aquilo...

Mas um dia, eu pensei,
Porra,
eu tô com 27, 28 anos,
dizendo a mesma coisa que dizia a mim mesmo há uma década.

E eu estava ali, com salário, com diploma, mas almoçando com talheres de plástico
num restaurante de supermercado.

Foi quando eu pude entender
que a vida é isso que vai passando
enquanto a gente pensa que é outra coisa.




14 de jul de 2016

trecho de um prefácio que escrevi para o livro de um amigo


 

Um poema nunca nasce do vazio.

Eles são sempre expressão de vida,
de sangue corrente nas veias.

Eles trazem consigo dores, risos;
eles podem denunciar, podem tripudiar.

Só não são indiferentes.

Um poema costuma guardar laços de intimidade
em relação às coisas do mundo.

O poeta é um sensível, não à toa eles costumam ser lidos e interpretados
nem sempre pela maneira como gostariam de ser interpretados,
mas sim como o leitor deseja interpretar
— ou interpreta, mesmo que não deseje.

O leitor, afinal, é tão sensível quanto o poeta.

E, nesse diálogo, ambos se firmam no mundo.

O poeta lança suas verdades
(ou as mentiras da verdade),
e no leitor é que o confronto entre o poema e a realidade acontece.


O poeta, nesse momento, já ficou para trás.





9 de jun de 2016

Estava relendo algumas páginas do escritor que mais do que ninguém me influenciou, Rubem Fonseca... e me deparei com o seguinte trecho num diálogo...

- Há certas pessoas que precisam de um empreguinho garantido no governo e você é uma delas.

Se essa sentença fosse dirigida a mim, a única coisa que eu responderia era: "sou mesmo".



7 de jun de 2016

de uma ex-aluna, tentando dizer o que acha bonito em mim
 
sua barbaa, seu modo de ensinar, seu carisma, sua felicidade q todas as vzs de manhã eu gostava de ver ela estampada com um sorriso no seu rosto, espero te ver novamente professor.



18 de mai de 2016

Mais sobre a HP

lembro que, num dos congressos que participei, em Vitória, Espírito Santo, eu estava transitando pelo campus onde rolava o evento e parei numa banquinha de livros do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, organização que editava o Hora do Povo). não tinha ninguém num primeiro momento; deviam ter saído por uns instantes. folheei os livros e logo apareceram dois gigantões. tudo bem que sou pequeno, mas eles mesmos eram muito mais altos que a média dos sujeitos altos que conheço. acho que comprei algum livreto de Stálin e, brincando, perguntei

- com o que o MR-8 alimenta vocês para serem tão grandes assim?

- com a verdade, disse um deles.

- boa resposta, falei. mas o que pensei de fato foi: com Pinóquio, crescia só o nariz...



12 de mai de 2016

O crepúsculo de um longo dia

Ascende um neoliberal à presidência e as sensações são diversas. Para mim, particularmente, parece o crepúsculo de um longo dia. Desde meus 16 anos, quando Lula foi eleito, até hoje, fiz a opção de defender esse que, como diziam os chilenos de Allende, pode ser um governo de merda, "mas é o NOSSO governo de merda". Foram muitas horas de sono perdida, muitos dias sem comer, muito lazer do qual abri mão, tudo isso a custo zero - aliás, a custo negativo, já que grande parte dos gastos éramos nós mesmos que precisávamos arcar. Deixei a militância, mas permaneci na defesa do projeto ali construído, considerando-me pessoalmente responsável por ele, espírito em muito decorrente da disciplina absorvida nos tempos de Partido Comunista. Agora, apesar de alguma sensação de derrota, sinto-me, na verdade, mais leve. Não foi fácil ser de uma geração que cresceu com a responsabilidade de defender um projeto que não foi por ela construído. Não sei o que vem pela frente, mas, ciente de que é preciso lutar sempre, o que sinto é um grande peso saindo de minhas costas.


 

10 de mai de 2016

Lembranças da HP

Estava dia desses vasculhando baús vendo a coleção de jornais Hora do Povo, que eu comprava na adolescência - era o mais acessível: 50 centavos nas bancas da Av. Rio Branco. Uma das coisas que me agradava no jornal era sua abordagem radical, de esquerda, e com manchetes elaboradas, ousadas e algumas com belo tom de humor, o que era raro naqueles tempos pré-redes sociais.

Agora joguei todos fora, mas não posso deixar de rememorar algumas daquelas manchetes.


Porrada nos cornos quebra os dentes do Império, um dia após o 11 de setembro.

Centenas de vândalos ianques já no inferno. O resto a caminho, sobre o terror que os invasores americanos estavam passando nas primeiras semanas no Iraque, com derrotas sucessivas.

Comandante das tropas ianque é mandado pela mulher, mais uma postagem criticando os invasores americanos, com a veia machista que era própria da época.

Iraque não é puteiro, diz o delegado de costumes de Bagdá, também sobre as derrotas sofridas pelo exército americano no país. O subtítulo dizia: é por isso que a Ana Paula Padrão não põe os pés lá.

Otavinho pego no elevador de serviço com o Cabo Hide, sobre o apoio empolgado da Folha de SP (cujo dono é o Otávio Frias Filho, pai do editor Otavinho) à invasão americana.

Otavinho reivindica a Lula embaixada na Disneylândia, sobre as futilidades do editor da Folha.

Nem todas as manchetes eram em tom de piada. Algumas eram sérias, clássicas, com estilo. A minha favorita foi a que usaram quando o presidente do PSDB foi enquadrado num escândalo e abandonado pelo partido que presidia: PSDB suicida seu presidente e leva flores ao funeral.


2 de mai de 2016

o corte

acordo tarde, os meus olhos ardem
no encontro com o sol (eu estou só)
não há outro lugar pra me abrigar

tão forte o corte que sinto no corpo
tão corpórea dor de púrpura cor
outro lugar não sei (eu quero me esconder)

no universo que conspira ao meu redor
nesse verso que suspiro com temor
o inverso do que eu pretendia ser
alvorece e só me resta obedecer

acordo tarde, os meus olhos ardem
no encontro com o sol (ainda estou só)
não há outro lugar pra me abrigar

se já é tarde, se o dia se perde
se você se foi, se acabou
o corte já fechou
mas a dor não passou


23 de abr de 2016

Eu tenho sangue de barata o suficiente para ver em que velhos amigos se transformaram. Mas nem sempre suas mães o tem. Uma delas me confidenciou:

No dia seguinte ao discurso estarrecedor de Bolsonaro, ele postou varias coisas apoiando-o e defendendo-o. Estou arrasada. Tive que excluí-lo do facebook porque me doía demais a cada postagem q ele fazia...


22 de abr de 2016

Fui perguntado:

- Mas nessa época que você estava na merda, é porque fazia o que os outros queriam?


Respondi:


- Não, era porque fazia o que eu queria. Quando passei a fazer o que os outros queriam, minha vida melhorou bastante.



21 de abr de 2016







Porra, Plutão Já Foi Planeta é uma banda legal, mas não consigo vê-los sendo tratado por Paulo Ricardo como a cereja do bolo no programa Superstar...

Vou agora mesmo ligar pros caras e retomar nosso projeto Pedra Fundamental.

Não dá pro mundo continuar assim.



18 de abr de 2016

Ouvi uma garota dizer certa vez que não queria mais entrar pela porta dos fundos como se fosse uma indigente. Aquela vida de disfarces não lhe servia mais. Não falei nada, mas pensei que entrar pela porta dos fundos não é tão mal… apesar de ser algo marginalizado, minimizado, isso permite que tenhamos outra perspectiva do ambiente. No fim das contas,acho que qualquer percepção que fuja ao pensamento da maioria (nem sempre) pensante pode ser mais distinta, até privilegiada. Ninguém aqui é especial, mas pode tentar.




17 de abr de 2016

Nesses tempos de penumbra na política, minha vontade era não ter emprego, namorada, mãe, amigos e nem propriedades. Eu seria o pária cujo destino a vida há muito me apontou mas que me recusei a aceitar. Acabaria com a vida de deputados torturadores, de policiais estupradores, de imbecis de toda ordem. Não resolveria porra nenhuma, nem era minha intenção resolver. Mas agora isso é apenas um lampejo de fúria. A hora de fazer isso já passou.

15 de abr de 2016

De um amigo filósofo - ou um filósofo amigo?

A verdadeira vida surge a partir de um “Por quê?”. No momento em que essa indagação se mostra ausente, então eu só existo, simplesmente existo. Então, me rebaixo a mesma condição de uma pedra, de um vegetal ou, o que é pior, de um animal com cabrestos!


14 de abr de 2016

Nas experiências presentes, receio, estamos sempre "ausentes": nelas não temos nosso coração - para elas não temos ouvidos. Antes (como alguém divinamente disperso e imerso em si, a quem os sinos acabam de estrondear no ouvido as doze batidas do meio-dia, e súbito acorda e se pergunta "o que foi que soou?"), também nós por vezes abrimos depois os ouvidos e perguntamos, surpresos e perplexos inteiramente, "o que foi que vivemos?", e também "quem somos realmente?"...

E em seguida contamos, depois, as doze vibrantes batidas da nossa vivência, da nossa vida, nosso ser - ah! e contamos errado... Pois continuamos necessariamente estranhos a nós mesmos, não nos compreendemos, temos que nos mal-entender, a nós se aplicará para sempre a frase: "cada qual é o mais distante de si mesmo"...........


nietzsche



9 de abr de 2016

Não aconteceu

- Fala, meu amigo, que saudade! Vamos nos encontrar essa semana? A gente senta em algum lugar, como há dez anos, come alguma merda, fala bem das garotas, fala mal da rapaziada, faz novas juras de amizade que justificarão reencontros daqui a mais dez anos.

- Combinado. Sexta-feira nos vemos!


 

7 de abr de 2016

Noites passadas


A noite vinha, e com ela o frio,
a chuva descia pela vidraça.
Eu me lembro agora, nesses dias bons,
com a consciência de que tudo passa.

A noite vai, e o dia surge,
logo o sol já esquenta nossa pele.
Em meu ouvido um chamado urge,
me chamando apenas pela letra L.

E a noite volta, mas eu não volto mais,
não quero ter o que deixei pra trás
nem quero continuar a me esconder do dia.

Não quero lembrar das coisas que dizia,
nem reencontrar tudo de que eu fugia
naquele tempo que eu não tinha paz.





30 de mar de 2016

A gente passa a vida viajando para um dia perceber que não havia nada a procurar lá fora... é de clichês como esse que a vida se recheia...



25 de mar de 2016

Há uma maldade no tempo, nas coisas que ele destrói...
Como um enfraquecimento daquilo que se constrói e não se sustenta mais.

 

23 de mar de 2016

Há dez dias foi aniversário de minha mãe,
sobre quem nunca escrevi qualquer resposta.
Então fica isso aqui como dedicatória e lembrança
para minha mãe,
a que primeiro me viu sorrir,
a quem primeiro fiz chorar.

22 de mar de 2016

Sinto raiva do tempo, mas adoro esse vento que ele insiste em soprar...

21 de mar de 2016

- Trabalhar com mulher deve ser um saco, né Leon?, perguntou-me minha chefe.

Na verdade, eu adoro. Não gosto de homens, nunca gostei. Mas também não posso ser tão explícito, senão parecerei um tarado ou qualquer coisa assim.

- Pois é, Milena, mas a gente se acostuma, hahaha!



8 de fev de 2016

are you talkin' to me?




hoje completa mais uma decada, entre outras tres ou quatro, o filme taxi driver, que ate hoje nao sei se me ajudou ou me atrapalhou na ocasiao em que o vi a primeira vez - uma decada atras -, fugido, jubilado, desempregado, drogado, e, como travis, ansioso por encontrar alternativas para voltar a vida social... quando nem taxista eu pude ser, pensei que era meu fim. estava a caminho de tornar-me um pária definitivo. mas apareceu aquele maluco, que eu conhecia de aventuras políticas juvenis, que me viu fudido e disse:
- voce quer um emprego? eu lhe dou o meu.
- mas o que porra tu faz?, eu perguntei.
- nada. carimbo, preencho ofícios e uns gordos que não conheço assinam. mas você quer um emprego e eu quero ajudá-lo.
e assim ele fez. deixou o emprego e eu fiquei em seu lugar. claro que ele tinha alguns planos b. conseguiu se virar, e eu consegui ver o azul do céu apos uma longa noite fria. depois as desventuras políticas juvenis que nos aproximaram tratariam de nos afastar. e o calvário dele, diga-se de passagem, ainda estava para chegar, mas nenhum de nós sabíamos. não pude ajudá-lo, portanto. ingrato, eu? talvez. prefiro nao pensar nisso
para nao correr o risco de voltar dez anos no tempo. ele ja esta bem.

ninguém precisa carregar culpa por nada, nem por si mesmo, nem por ninguém.
com taxi driver entendi isso um pouco melhor.


6 de fev de 2016

Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim.
Há o mundo continuando a fazer o que faz.
E eu não estou lá. Muito estranho. Penso
no caminhão do lixo passando e levando o lixo
e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim
e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível.

E pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser
verdadeiramente descoberto. E todos aqueles
que tinham medo de mim ou me odiavam
vão subitamente me aceitar. Minhas palavras
vão estar em todos os lugares. Vão se formar
clubes e sociedades. Será nojento.
Será feito um filme sobre a minha vida.
Me farão muito mais corajoso e talentoso do que  sou.
Muito mais. Será suficiente
para fazer os deuses
vomitarem.

A raça humana exagera em tudo:
seus heróis, seus inimigos, sua importância...

BUKOWSKI



1 de fev de 2016





"É um gozador, é um gozador", disse alguém, sobre mim, numa dessas festinhas informais de amigos de trabalho, num momento em que eu havia me retirado da mesa. Não sei se isso foi um elogio informal ou um deboche, mas o fato é que, feliz ou infelizmente, sim, sou mesmo...



15 de jan de 2016

Lembro-me de quando, na aula de história, acho
o professor nos apareceu com um curta metragem de nome estranho
NÓS QUE AQUI ESTAMOS
POR VÓS ESPERAMOS
- era o nome que circundava na fachada de um cemitério de uma pacata cidade paulista.
Não esperava muita coisa,
mas vi, bastante.
Creio que foi a primeira vez que entendi o que era História.
Até então, tinha muitas explicações,
mas apenas muito vagas noções...








14 de jan de 2016

Uma das partes legais de ser administrador de grupos no facebook onde todo mundo só sabe brigar um contra o outro é limpar a barra do seu adversário e ele vir com umas desculpas sinceras...



Cara... Sinceramente, você faz realmente o papel de Administrador de grupo... Escuta e sabe dialogar... Ao contrário a uns no grupo, que partem para agressão verbal... Continue assim...



12 de jan de 2016

Nunca me preocupei em lances espirituais quando experimentava drogas. Meu negócio era somente fugir; não tinha espiritualidade, transcendência alguma, e nunca romantizei aquelas experiências; exceto quando estive no Vale do Amanhecer, há coisa de década atrás, e me abri para o que eles se propunham. A experiência que tive foi, sim, rica. Não sei o que envolveu, se envolveu Deus, se envolveu alguma comunhão, trajetos espirituais, coisa parecida. Mas envolveu algo que eu nunca havia vivenciado, e a lembrança de me ver em contato comigo mesmo, de subir aos céus, de chegar em uma nuvem e encontrar meu pai - fosse quem fosse, pois o rosto não era identificável, mas era meu pai, eu sabia naquele momento - e de perdoá-lo por ter-me posto no mundo sempre foi muito forte durante muitos anos. Chorava toda vez que lembrava. Agora não choro mais, nem sinto necessidade de novas buscas espirituais. Fiz o que tinha que fazer. Foi bom, e as lições já foram extraídas.



6 de jan de 2016

evito reunir livros e cifrões, quase sempre a relação é assimétrica... é por isso que quase nunca compro livros em livrarias. ou compro em sebo a 10% disso que chamam de "valor de mercado" ou baixo na internet para ler no kindle ou no celular - tem sido muito melhor...


24 de dez de 2015

O sol de cada manhã

Eu me lembro de uma vez imaginar minha vida, como ela seria, e como eu seria.
Eu podia me ver com todas aquelas qualidades fortes e positivas,
que as pessoas podem escolher dentro de uma sala.

Mas o tempo passou,
e algumas daquelas qualidades eu de fato alcancei.
Só que todas as possibilidades que eu encarei e as pessoas que eu queria ser
todas elas foram sendo reduzidas ano a ano, cada vez mais,
até finalmente serem reduzidas a apenas uma.
A quem eu sou.

E isso é quem eu sou.

video

21 de dez de 2015

Essa semana ela disse algo assim:



Às vezes, tenho medo de dizer pras pessoas o quanto a gente é feliz.

 

17 de dez de 2015

2001, quinze anos depois

 acho que vou rever todos os filmes que vi aos 15



23 de out de 2015

esses caras

esses caras
pelo que passaram?
eles nunca enfrentaram
sozinhos
as ruas escuras
nunca levaram foras
constrangedores
nunca ficaram com vergonha
de sair de casa
simplesmente por ser quem são
esses caras
nunca tomaram porrada na rua
nunca foram xingados pelo chefe
nunca foram expulsos de bares
e de casas
esses caras
nunca perderam o último ônibus
nunca tiveram o carro enguiçado
no congestionamento
sob a chuva
sem ninguém
esses caras
nunca tiveram suas vidas em risco
nunca levaram choques
nunca foram ameaçados
esses caras
nunca precisaram sentar no meio-fio
para poder pensar
em que merda fariam
para se livrar de alguma situação
esses caras
nunca deram carona para estranhos
nunca comeram em refeitórios públicos
nunca chegaram suados
nos seus compromissos
nunca derramaram comida na blusa
seus cabelos
quando não estão bem penteados
estão calculadamente desgrenhados
esses caras
estão por aí
com vidas seguras
dentes sempre escovados
e tendo sempre um telefonema
à disposição
para resolver seus problemas
estão com seus cartões de crédito
suas garotas brancas
de pele de porcelana
estão com suas
camisas polo
seus sorrisos de cinema
estão falando alto
estão rindo
estão comendo nos food trucks
nas lanchonetes do momento
resenhando no verão
e nos carnavais
esses caras
nunca sentiram
coisas repulsivas
nunca precisaram
guardar segredos
nunca tentaram se matar
nunca ouviram música
bem baixinho
nunca beberam cerveja quente
sozinhos em casa
à meia noite
esses caras
não decepcionaram
no vestibular
nunca brocharam
nunca choraram
nunca chamaram
quem quer que fosse
sem obter resposta
esses caras
estão por aí
travestidos
bem vestidos
corrompidos
aplaudidos
para eles
o trânsito está livre
para os demais
resta aguardar
o sinal abrir
mas quem sabe
quando o verde irá pintar?


20 de out de 2015

De um amigo

Brother você me ajuda muito com isso, eu queria agradecer profundamente a sua atenção e amizade nesses momentos, eu sei como é importante dar uma força visto que gosto de fazer o mesmo com os outros que estão ao meu redor.

12 de out de 2015

7 de set de 2015

- Como faço para gostar de feriados?
- Eu faço assim: olho a minha agenda, e quando me certifico de que não precisarei sair de casa para nada, já gostei!


5 de set de 2015

A verdade é que eu nunca estive realmente preocupado com essas coisas. Governo, trabalho, vida acadêmica... nada, nada disso realmente ocupa o altar das minhas preocupações. No entanto, sou escravo de minhas escolhas. Quando comecei a me envolver com política, de certo modo apontei uma direção para a minha vida que não posso simplesmente ignorar. Daí nascem meus comentários em defesa do governo, em crítica às greves, em dedicação ao serviço profissional, em redação de artigos e dissertações... Por mim, estaria deitado no sofá por pelo menos cinco ou seis vezes mais tempo do que em geral eu fico, seja lendo qualquer bobagem (por diversão, não por necessidade) ou vendo TV livremente, sem a preocupação de emitir opinião, de combater fascistas na internet (e na vida real), de construir meus argumentos (e desconstruir outros) nem de me informar devidamente em relação a temas polêmicos do cotidiano.

O lado menos sufocante desse problema que estou fadado a carregar é que pelo menos meu trabalho (atual) não é estafante e a convivência é tranquila, meus objetos de estudo acadêmico são em geral coisas que me apetecem e a política é algo interessante, não à toa as pessoas odeiam - inclusive, foi quando me dei conta deste fato que comecei a achá-la realmente interessante (afinal, se as pessoas não gostam, algum valor deve ter).



3 de set de 2015

O senso comum diz que amigos são poucos. Mas poucos quantos? E por que são poucos? Talvez porque muitos são apenas colegas. Mas o que diferencia colegas de amigos? A frequência com que nos vimos? O auxílio que prestam em momentos de dificuldade? Ora, há quem receba mais auxílio de um estranho do que de um conhecido. Será o estranho um amigo? Digamos que o estranho o auxilie num momento de dificuldade, mas não tá a fim de ouvir seus problemas pessoais. Tem-se que ele age mais por espírito humano do que por simpatia pessoal. Seria ele amigo? Eu teria experiências pessoais a relatar. Já tive amigos que me ofereceram cama, comida e dinheiro em tempos difíceis e não os vejo mais, nem sei por onde andam. Eu poderia citar um que inclusive deu o emprego dele pra mim - sim, ele ficou desempregado e me repassou o lugar dele no trabalho. Seria ele meu melhor amigo? Seria eu ingrato de não telefonar para ele no Natal? Eu também já ofereci ajuda a outras pessoas que provavelmente não se sentiriam a vontade comigo por nem mais trinta segundos. Seriam eles ingratos? Seria eu especial, um amigo incompreendido talvez? Diz-se também que a amizade não morre com a distância; contudo, só se pensa numa dimensão de distância, isto é, a distância espacial. E quando se trata de distância temporal? Quero dizer, o moleque que era meu amigo mais chegado no ensino médio, se eu o reencontro na rua, devo falar com ele com a mesma liberdade? Ou temos que apertar a mão e fazer menções meramente cortesas ao passado, com breve atualização da vida de cada um? Às vezes posso ser inconveniente, já que em geral meu comportamento com alguém é quase sempre o mesmo, ainda que durem anos desde nossa última conversa. Outro ponto: amigos são aqueles que nos falam verdades ou nos falam mentiras, isto é, são aqueles que dizem o que queremos ouvir ou o que precisamos ouvir? A resposta pode não ser tão simples quanto parece, já que todo mundo pensa em uma resposta, mas só confere valor real a outra.Sendo mais claro: os que mais reclamam sinceridade,
não a suportariam...

Não gosto muito do discurso conveniente de quem se diz alheio a rótulos. Mas eu acho que a ideia de amizade quase sempre está acompanhada de uma categorização que não se sustenta. Vivemos num mundo tão dinâmico, conhecemos tantas pessoas, estamos sempre envolvidos na vida de alguém - ainda que não nos apercebamos disso - que quase sempre penso que sou mais amigo da pessoa que conheci há duas semanas do que daquele que conheço há dez anos. Há exemplos que poderiam ser mais absurdos. Não raro em filas de banco ou hospitais públicos nós compartilhamos a reclamação pela demora com algum estranho e logo entabulamos conversa, que podem passear por temas diversos (futebol, política, dívidas, problemas familiares, dramas pessoais): frequentemente, nos abrimos mais para estranhos nessas filas do que para parceiros de longa data. Talvez não exista mesmo esse papo de mais ou menos amigo. Amizade, como amor, talvez não seja algo que exija reciprocidade. A maioria das pessoas que eu gosto de pensar que são meus amigos nem sabem que o são. Em outros casos, deve ser o contrário. No fundo, saber ou não saber não importa.




2 de set de 2015

Perguntaram-me hoje o que me ressente. A bem da verdade, prefiro não alimentar ressentimentos, vez que considero isso algo unilateral e, no limite, acompanhado de um certo grau de covardia. Como a possibilidade de oferecer essa resposta não estava dada (era uma dessas dinâmicas de grupo que exigia participações pontuais, simplórias e pouco polêmicas), preferi dizer que me ressente a indiferença. Qualquer ato de indiferença - seja para um parente, um colega, ou mesmo para um estranho, como aqueles que nos aparecem nos semáforos pedindo para limpar nossos parabrisas - significa para mim uma séria manifestação de que algo está em falta... não somente educação.
Cara, foi mal, naquela bagunça da saída do filme te encontrei e tu comentou alguma coisa e eu falei qualquer outra em resposta, terminei nem falando direito contigo; fiquei mal com isso. De qualquer modo, eu realmente gostei também. Abraço.


1 de set de 2015



Quando países socialistas, cometem erros, a culpa é sempre do socialismo, que não preconiza o bem estar de todos, que é antinatural, et cetera...

Quando países capitalistas os cometem, a culpa é da humanidade... "como sinto vergonha de ser humano"... "que espécie é essa que deixa um semelhante morrer?"... "como pode alguém não se sensibilizar com essa atrocidade?"...

A crise migratória não é uma crise, minha gente... é um projeto.

Mas deixa a política para depois...

26 de ago de 2015

Mudar é algo tão terreno...
a maioria das pessoas está sempre presa à ideia de
mudar "pra melhor",
não aceitam permanecer na mesma condição,
deve ser um afã coletivo de si mesmo... é meio pecado uma pessoa se dizer satisfeita,
fugir dessa lógica de querer sempre melhorar,
porque "melhorar" é um conceito vazio, não existe definição clara do que é melhor ou pior...
de maneira que
a simples tentativa de melhorar
é dar um salto no escuro,
correndo sério risco de não encontrar nada além...

14 de ago de 2015

Aqui estou eu, juntando esses livros comprados ao longo de anos fuçando sebos (pouquíssimos comprei em livrarias). Não sei quantos tenho, talvez uns 300 ou 400. Reuni uns vinte e a ideia é vendê-los. Há uma parte de mim que se vai com eles, sobretudo eu que sou tão apegado a objetos imateriais, talvez mais até do que garotas que passaram e amigos que não vejo mais - sempre tive mais apreço pelos livros, por um relógio que me acompanhou por anos, pela moto que me levou pra lugares diversos e por outras coisas banais como aneis e cadernos antigos. Eu sei, é muito egoísmo. Todos esses objetos, afinal, são uma extensão de mim mesmo. Logo eu, que sempre considerei o egoísmo um defeito sério, vergonhoso, talvez o maior defeito que carregamos. A bem da verdade, porém, eu nunca disse que é fácil não ser egoísta. Bom, decidi aceitar a união do útil e do agradável. Agora metade dos livros que preciso estão no meu kindle e esses da foto e outros tantos não são mais do que apenas vaidade pessoal expressa em estantes lotadas. A grande maioria deles representa mais o que eu fui do que o que eu quero ser. Sófocles, Marx, Dostoiévski, Goethe, Burroughs, Freud, Rimbaud, Erasmo, esses grandes companheiros, sujeitos que fizeram a minha cabeça, agora estão acompanhado de cifrões. Alguns ainda vou manter comigo, espero. Vou ganhar uns tantos centavos, pagar dívidas banais e dar um novo passo pra uma vida mais limpa; sem velharias ao meu redor, e valorizando mais os vivos do que os inanimados, sem entender que estes têm lá sua parcela de importância. Foi boa a travessia.